Orlando Silva


Técnicos do TCU começam, logo depois do carnaval, apuração de gastos dos cartões de crédito da Presidência da República que estão crescendo e somaram R$ 75 milhões só no ano passado.
ESCÂNDALO RECHEADO ATÉ DE TAPIOCA
Logo após este carnaval, auditores do Tribunal de Contas da União(TCU) vão iniciar uma devassa nos gastos de dinheiro público através dos cartões corporativos da Presidência no Governo Lula. Somente em 2007 foram R$ 75 milhões, incluindo as extravagâncias dos ministros da Igualdade Social, Matilde Ribeiro, e da Pesca, Altemir Gregolin, com bares, restaurantes e hotéis de luxo. De forma irregular e incompreensível, até compra de tapioca foi paga com dinheiro público pelo ministro dos Esportes, Orlando Silva(foto). Além desses abusos, o TCU vai apurar porquê dos R$ 75 milhões gastos com cartões , R$ 45 milhões se referem a saques em dinheiro.

É o mais novo escândalo do Governo Lula, que precisa ser apurado pelo TCU e merece uma CPI no Congresso. Embora o presidente do Senado, Garibaldi Alves(PMDB-RN), em evidente e combinada defesa do Governo, esteja descartando a iniciativa, alegando que “CPI não pode ser panacéia que vai resolver todos os problemas”, parlamentares da oposição já se mobilizam. Para o caso de uma CPI mista será necessário o apoio de 171 deputados e 27 senadores. Muitos já entendem que os abusos de ministros e servidores da Presidência com o dinheiro público, conforme levantamentos da própria Controladoria Geral da União(CGU), não podem deixar de ser investigados pelo Congresso. Crescimento dos gastos com esses cartões de crédito da Presidência realmente causa suspeitas: em 2004, R$ 14,1 milhões; em 2005, R$ 21,7 milhões; em 2006, R$ 33 milhões; e em 2007, R$ 75,6 milhões. Mais suspeito ainda é o fato de que mais da metade desses gastos – R$ 45 milhões – estejam registrados como saques em dinheiro. Por que e para quê? Seriam para pagamentos de atividades sigilosas ou de espionagem de interesse do Governo? Ou seriam para facilitar o desvio, uso irregular ou até mesmo roubalheira do dinheiro público? Seja como for, causa estranheza também o fato de que os recordistas desses gastos sejam ministros inexpressivos ou pouco expressivos ou até desnecessários: Matilde Ribeiro, da Igualdade Racial; Altemir Gregolin, da Pesca; e Orlando Silva, dos Esportes. Somente os três gastaram quase R$ 215 mil entre as despesas dos 12 mil cartões de crédito corporativos do Governo. Eles adoram bares, restaurantes e hotéis de luxo, mas não pagam nada com dinheiro dos salários deles. Preferem o uso do dinheiro dos cofres públicos que, certamente, julgam não ser dinheiro de ninguém. Provavelmente, por isso, Matilde Ribeiro não teve dúvida em pagar compras pessoais num free-shop com dinheiro público. Pela mesma razao, Altemir Gregolin não gosta de ficar em hotéis “pé-de-chinelo”, segundo sua assessoria. Da mesma forma, Orlando Silva não teve a menor autocrítica ao pagar uma tapioca numa loja de Brasília com dinheiro público. Será que o ministro dos Esportes não pode tirar R$ 8,30 do seu bolso, do seu salário, para pagar seu lanche de uma ou duas tapiocas? Segundo decreto de 2005, o uso desses cartões de crédito do Governo só pode ser feito no País, para aquisição e pagamento de materiais e contratação de serviços, compras de passagens aéreas, despesas com pousada, alimentação e locomoção. Pelos abusos cometidos e pela falta de bom senso desses ministros recordistas em gastos, as regras devem ser mais explícitas e proibitivas. Ministro achar que porque é ministro tem que se hospedar no Rio somente no luxuoso Copacabana Palace, pago com dinheiro do povo, é um abuso inaceitável. Desvio de uso dos cartões chegou ao ponto de os ministros Matilde e Gregolin terem pago com eles despesas pessoais no carnaval do Rio, ano passado. Com as crescentes denúncias atuais, espera-se que os dois e nenhum dos demais ministros do Governo Lula repitam o escárnio neste carnaval. Somente com TCU e CPI em cima disso para acabar essa farra com dinheiro público.
Gastos excessivos, irregulares e abusivos do dinheiro público, por cartões de crédito da Presidência, novo escândalo do Governo Lula, poderão ser investigados também por CPI no Congresso.

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