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Jornal das Vozes Livres de Brasília
HOME   Brasília - DF 02/12/2007

SOCIALISMO BOLIVARIANO

Em clima tenso, depois de várias semanas de protestos, sobretudo de estudantes, a Venezuela vai às urnas neste domingo(02) para referendo à reforma constitucional de Hugo Chávez. O ponto principal da reforma é a mudança do regime socioeconômico que passa a se fundamentar em princípios socialistas. Caso aprovada a reforma, estará instalado o que Chávez denomina de “socialismo do século XXI”. Mas, historiadores venezuelanos, como Magarita Maya, alertam que o que Chávez está querendo parece mais com o socialismo do século XX que fracassou por assumir confusão entre Estado, Governo e Partido. Deu no que deu.


TEMOR DE SANGUE NA AMÉRICA LATINA

Crise na Venezuela. Protestos e mais protestos contra a reforma constitucional. Muitas prisões e até morte nas ruas. De um lado, o presidente Hugo Chávez já anunciou sua disposição de pegar em armas. Do outro, militares aliados à oposição também anunciam a mesma disposição. Cresce o espaço para o radicalismo. O mesmo acontece na Bolívia de Evo Morales e a razão é a mesma: protestos contra a reforma constitucional. Conflitos se espalham entre manifestantes. Quatro mortes nos últimos dias. Greves paralisam o país. Morales tem forte apoio popular nas zonas rurais mas está perdendo adesão em grandes centros urbanos. Estudiosos da América Latina, atentos ao que ocorre na Venezuela e na Bolívia, temem que essas crises se agravem e possam determinar novo banho de sangue no continente.

  • Sucre, capital de Chuquisaca, na Bolívia, é um dos principais termômetros da atual crise boliviana. É palco de forte oposição ao Governo Evo Morales e à sua reforma constitucional. Nessa semana, Sucre teve muitos conflitos, muitos feridos e quatro mortos.

  • Embora não seja o maior centro de oposição a Morales - que é Santa Cruz de la Sierra, cidade mais rica da Bolívia – Sucre tem chamado a atenção dos observadores pelo clima explosivo, principalmente depois da greve dos últimos dias que paralisou tudo e provocou graves conflitos na região.
  • Para se ter uma idéia da resistência de Sucre à reforma de Moraes, 90% de sua população trabalhadora aderiu à greve. Lojas, bares, hotéis e restaurantes ficaram fechados. O governador de Chuquisaca, David Sanchéz, sumiu com medo das reações populares.
  • Sem governador e sem polícia, Sucre está entregue aos manifestantes e cresce o radicalismo contra o Governo Morales. Quanto mais Morales contra-ataca em La Paz, mais reação tem em Sucre. Onde isso vai parar ninguém sabe. Parece que Morales não está preparado para contornar a situação de forma pacífica.

PERIFERIA(1)
Não está fácil a vida do presidente da França, Nicolas Sarkozy. Agora, além das reações contrárias às suas reformas para diminuir o Estado, está enfrentando uma nova onda de violência juvenil.
PERIFERIA(2)
Violência de jovens da periferia de Paris contra policiais é o ponto crucial. Tudo começou com a morte de dois adolescentes numa moto em acidente com um carro da polícia, ainda sem esclarecimentos.
PERIFERIA(3)
Policiamento está reforçado para evitar mais confrontos. Mas muitas famílias pobres protestam contra desemprego e discriminação por parte da polícia. Revolta pode se alastrar. Para angústia de Sarkozy.
GIRAMUNDO - Crise na Venezuela de Hugo Chávez. Crise na Bolívia de Evo Morales. E, agora, crise no Equador de Rafael Correa. Em comum, reformas constitucionais inspiradas no socialismo. No Equador, o Congresso entrou em recesso temendo ser dissolvido. Vamos acompanhar atentos. É novo momento histórico da América Latina.

Tão Gomes Musa Antônio Caraballo Magno Martins JB Serra e Gurgel Charlotte Renato Riella
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