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tantos problemas humanos e urbanos, graves, prioritários e urgentes
para serem resolvidos no País, sobretudo em saúde, educação,
transportes e segurança, que deixam sob desespero milhões de
cidadãos brasileiros, o Governo Lula, depois de escandalizar
com luxuoso avião de R$ 150 milhões, agora resolve investir
R$ 350 milhões anuais(ou R$ 600 milhões), num projeto cheio
de equívocos e de erros: uma rede de TV Pública, que começa
a operar neste domingo(02), exatamente quando o Brasil entra
na Era da Televisão Digital substituindo o velho sistema analógico
por padrão de alta definição. Mas, quais os equívocos e erros
dessa TV Pública? Primeira constatação: absolutamente desnecessária.
Não que o Brasil não precise de uma TV pública. Pelo contrário.
As principais democracias do mundo – Estados Unidos, Inglaterra,
Itália, Espanha, Alemanha – têm TVs públicas. No Brasil, caso
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o
Governo Lula estivesse idealizando um projeto sério de TV Pública,
com austeridade e imparcialidade, estaria não criando uma nova
rede e ampliando os gastos públicos desnecessários, mas organizando
e estruturando um rede nacional a partir das mais de 100 emissoras
e canais de televisões públicas já existentes: TV Nacional(Radiobrás),
TVs Educativa, TVs Cultura, TVs Universitárias, TV Câmara, TV
Senado, TV Justiça, TVs Assembléias e até incluindo as TVs Comunitárias,
que não podem ser comerciais. Bastaria condicionar a Radiobrás
em recursos técnicos e humanos qualificados para ser geradora
e cabeça dessa rede com objetivos voltados para o interesse
público. Segunda consta-tação: Como pode um empreendimento governamental
que se diz para atender ao público ser criado por Medida Provisória
sem ter qualquer justificativa de urgência? Essa |
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atitude estranha do Governo Lula só faz alimentar a desconfiança
de que o projeto da TV Pública é algo não para atender
ao público mas interesses governamentais. Diante de um
Governo que tem demonstrado, com freqüência, detestar
a liberdade de expressão, fica difícil esperar que uma
rede de TV Pública criada e financiada pelo Governo seja
independente do Governo e possa, realmente, servir à sociedade.
Embora o ministro da Comunicação Social, Franklin Martins,
insista em dizer que não será uma TV “chapa branca”, |
ninguém acredita. Terceira constatação: os 15 nomes
nomeados e anunciados pelo presidente Lula como integrantes
do Conselho Curador, que vai fiscalizar o conteúdo da
nova TV Pública, podem até representar diversidade cultural
– critério adotado para a escolha – mas não são representativos
da sociedade. Cadê os representantes da indústria, do
comércio, dos trabalhadores, das Universidades, dos
estudantes, dos advogados, dos magistrados, dos religiosos,
das donas de casa e de outros, indicados por seus
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respectivos setores? E por que esse conselho ainda vai
ter quatro ministros do Governo? Para pressionar e constranger
os conselheiros que não são do Governo? Só pode ser. Dizer
que essa TV Pùblica vai ser semelhante ao que existe nos
Estados Unidos e na Europa é querer enganar os desinformados.
Muito menos pode ser comparada, em proposta, ao que representa
a BBC de Londres, fundada em 1922, que é maior e mais
importante rede pública de televisão do mundo, com 23
mil funcionários, e independente em relação aos governantes
de plantão na Inglaterra. Lá eles respeitam o bem |

Martins ao anunciar conselheiros da TV Pública |
público
e os cidadãos têm perfeita noção de sociedade. Questão
de mundo de civilizado. No Brasil, essa TV Pública parece
muito mais com a TV pública que Hugo Chávez, depois de
ter fechado a principal rede da Venezuela, implantou para
se eternizar no poder. Aí sim, tudo a ver! |
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