FATOSÍNTESE

Após o Aerolula de R$ 150 milhões, agora é a TV Lula de R$ 350 milhões

Lula na festa dos 45 anos da Associação Brasileira de Emissoras de Televisão
Com tantos problemas humanos e urbanos, graves, prioritários e urgentes para serem resolvidos no País, sobretudo em saúde, educação, transportes e segurança, que deixam sob desespero milhões de cidadãos brasileiros, o Governo Lula, depois de escandalizar com luxuoso avião de R$ 150 milhões, agora resolve investir R$ 350 milhões anuais(ou R$ 600 milhões), num projeto cheio de equívocos e de erros: uma rede de TV Pública, que começa a operar neste domingo(02), exatamente quando o Brasil entra na Era da Televisão Digital substituindo o velho sistema analógico por padrão de alta definição. Mas, quais os equívocos e erros dessa TV Pública? Primeira constatação: absolutamente desnecessária. Não que o Brasil não precise de uma TV pública. Pelo contrário. As principais democracias do mundo – Estados Unidos, Inglaterra, Itália, Espanha, Alemanha – têm TVs públicas. No Brasil, caso o Governo Lula estivesse idealizando um projeto sério de TV Pública, com austeridade e imparcialidade, estaria não criando uma nova rede e ampliando os gastos públicos desnecessários, mas organizando e estruturando um rede nacional a partir das mais de 100 emissoras e canais de televisões públicas já existentes: TV Nacional(Radiobrás), TVs Educativa, TVs Cultura, TVs Universitárias, TV Câmara, TV Senado, TV Justiça, TVs Assembléias e até incluindo as TVs Comunitárias, que não podem ser comerciais. Bastaria condicionar a Radiobrás em recursos técnicos e humanos qualificados para ser geradora e cabeça dessa rede com objetivos voltados para o interesse público. Segunda consta-tação: Como pode um empreendimento governamental que se diz para atender ao público ser criado por Medida Provisória sem ter qualquer justificativa de urgência? Essa
atitude estranha do Governo Lula só faz alimentar a desconfiança de que o projeto da TV Pública é algo não para atender ao público mas interesses governamentais. Diante de um Governo que tem demonstrado, com freqüência, detestar a liberdade de expressão, fica difícil esperar que uma rede de TV Pública criada e financiada pelo Governo seja independente do Governo e possa, realmente, servir à sociedade. Embora o ministro da Comunicação Social, Franklin Martins, insista em dizer que não será uma TV “chapa branca”,
ninguém acredita. Terceira constatação: os 15 nomes nomeados e anunciados pelo presidente Lula como integrantes do Conselho Curador, que vai fiscalizar o conteúdo da nova TV Pública, podem até representar diversidade cultural – critério adotado para a escolha – mas não são representativos da sociedade. Cadê os representantes da indústria, do comércio, dos trabalhadores, das Universidades, dos estudantes, dos advogados, dos magistrados, dos religiosos, das donas de casa e de outros, indicados por seus
respectivos setores? E por que esse conselho ainda vai ter quatro ministros do Governo? Para pressionar e constranger os conselheiros que não são do Governo? Só pode ser. Dizer que essa TV Pùblica vai ser semelhante ao que existe nos Estados Unidos e na Europa é querer enganar os desinformados. Muito menos pode ser comparada, em proposta, ao que representa a BBC de Londres, fundada em 1922, que é maior e mais importante rede pública de televisão do mundo, com 23 mil funcionários, e independente em relação aos governantes de plantão na Inglaterra. Lá eles respeitam o bem

Martins ao anunciar conselheiros da TV Pública
público e os cidadãos têm perfeita noção de sociedade. Questão de mundo de civilizado. No Brasil, essa TV Pública parece muito mais com a TV pública que Hugo Chávez, depois de ter fechado a principal rede da Venezuela, implantou para se eternizar no poder. Aí sim, tudo a ver!


Tão Gomes Musa Antônio Caraballo Magno Martins JB Serra e Gurgel Guillermo Piernes Renato Riella
Jota Alcides Charlotte Aldo Paes Barreto Sérgio Oliveira Luiz Roberto Marinho Kleber Sampaio Aldemar Paiva