Geraldo Mesquita


Diante da possibilidade de derrubada da CPMF no Senado, Governo Lula está usando de pressões, retaliações, ameaças e até assédio imoral para conquistar votos que possam manter imposto.
CPMF: BARGANHA E ASSÉDIO IMORAL
Verdadeiro clima de guerra vive o Senado, a partir de agora, na reta final de decisão sobre destino da famigerada CPMF. Sua prorrogação começou a ser discutida nessa semana e sua votação em primeiro turno pode acontecer nesta terça-feira(4). Enquanto a arma da oposição é o regimento, tanto para obstruir ou desobstruir, o Governo está jogando pesado vale-tudo. Em discurso na tribuna, o senador do PMDB, Geraldo Mesquita(foto), denunciou estar sofrendo “assédio imoral” por parte do Palácio do Planalto para votar a favor da CPMF. “O Governo trata de forma desrespeitosa a própria a base e está agindo de forma desastrada nos colocando contra a parede”.

Dessa estratégia de vigorosa pressão do Governo contra os senadores de oposição à CPMF fazem parte a suspensão do envio ao Congresso do projeto de reforma tributária prometido para 30 de novembro e o atraso na remessa do projeto de política industrial. São retaliações que atingem os interesses dos principais dirigentes empresariais e industriais do País, sobretudo da Federação das Indústrias de São Paulo, que lidera campanha nacional pela extinção da CPMF no prazo legal, dia 31 de dezembro. Mas, o Governo já manifestou também disposição de suspender a votação do Orçamento de 2008 e até não conceder o reajuste salarial dos servidores públicos, colocando a culpa nos senadores contrários à prorrogação da CPMF. Oficialmente, a justificativa do Governo é sempre a mesma e catastrófica de que com o fim da CPMF haverá um rombo de R$ 40 bilhões nos cofres públicos. Mas, em nenhum momento, o Governo fala dos recordes históricos e sucessivos de arrecadação tributária que deve atingir este ano R$ 600 bilhões e já em outubro teve um excedente de R$ 36 bilhões, equivalente ao valor da CPMF deste ano. Ou seja, o Governo Lula não precisa mais desse maldito imposto, mas, como não quer reduzir seus gastos acelerados e irresponsáveis, está brigando por sua manutenção de qualquer jeito. Para isso, vale tudo, inclusive negociatas, barganhas e ameaças. Como o presidente interino do Senado, Tião Viana, já decidiu e anunciou que, até 22 de dezembro, serão realizadas sessões deliberativas às segundas e sextas-feiras para permitir que a prorrogação da CPMF seja votada ainda este ano, a oposição está certa de que o Governo Lula vai usar todo o seu arsenal poderoso de intimidação e convencimento para conseguir mais votos entre os senadores. Como a denúncia do senador Geraldo Mesquita, algo tão escandaloso que foi encaminhada à Corregedoria Geral do Senado para a devida apuração e medidas cabíveis. De acordo com o senador Geraldo Mesquita(AC), ele vem sendo assediado, imoralmente, em forma de cooptação, pelo assessor da Presidência da República, Marcos Lima, ocupante da vaga de Waldomiro Diniz, protagonista do primeiro escândalo do Governo Lula. Em resumo, tem sido procurado, depois de inúmeras tentativas frustradas de contato por telefone, para trocar seu voto ficando a favor da prorrogação da CPMF e receber, em pagamento, emendas do Orçamento. Como esperado, o Planalto negou a barganha, mas o senador não tem dúvida e está indignado: “Isso me cheira a assedio, assédio imoral, tentativa de corrupção”. Como precisa e ainda não tem os 49 votos para prorrogação da CPMF, o Governo está atacando em várias frentes, mas a arma mais utilizada para vencer a resistência dos senadores da oposição é a liberação de emendas do Orçamento. Somente em novembro, as liberações chegaram a mais de R$ 515 milhões, muito mais do que o total de setembro e outubro juntos – R$ 438 milhões – quando o Governo começou a azeitar sua máquina de distribuição de verbas em troca da aprovação da CPMF. Com certeza, essa máquina vai funcionar a todo vapor agora em dezembro.
Máquina do Governo Lula para liberação de verbas aos senadores de oposição à CPMF está azeitada e os recursos para isso agora em dezembro poderão ultrapassar em muitos os R$ 500 milhões.

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