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| Jornal das Vozes Livres de Brasília | |
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A
NOVA VIDEOPOLÍTICA
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| envolventes. O último programa do Democratas que foi ao ar impressionava. Home Theater ligado no volume máximo, o telespectador podia se preparar para se segurar no sofá. Seria a nova videopolítica capaz de colocar um fim na generalizada apatia política, tornando o trato da coisa pública algo atraente para o reles e cansado cidadão? Dificilmente. Como espetáculo, ela atingiu um nível elogiável. Mas como discurso e meio, traz sérias e negativas conseqüências para a prática política. A primeira, e mais óbvia de todas, é a personalização política, em si agente do esvaziamento de conteúdos políticos. É a imagem de um porta-voz, necessariamente, |
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informações também é privado, quase íntimo, afinal a figura política da vez me fala na minha sala de estar, o que reforça a tendência de interpretação dos conteúdos através de elementos pessoais. O discurso é forçosamente simplificado, pois tem que ser veloz. A ameaça da mudança de canal é constante, então a mensagem precisa ser transmitida logo. Perde-se conteúdo político. Na verdade, ele é de tal forma simplificado, e o telespectador de tal forma tratado como um analfabeto político, que a maioria deles recorre a formatos infantis. No caso do Democratas, literalmente todo o programa foi desenvolvido a partir das respostas do partido para as |
interrogações de uma criança. E o discurso é diluído. Num palanque, o político
sabe quem é seu público e se direciona para ele. Na televisão, o discurso
é voltado para todos, ganhando contornos generalistas e indiferenciados.
A síntese suprema é o último slogan do PT, algo como “O partido que mais
faz por você”. Só que o PT não fala quem é essa abstração chamada “você”.
E é impossível fazer o máximo para todos, porque política pressupõe necessariamente
conflito de interesses e relações de dominação. Em suma, é a negação da
política. *Estudante de Ciência Política na UnB e de Jornalismo no UniCeub. |