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FATORAMA
Jornal das Vozes Livres de Brasília
HOME   Brasília - DF 02/12/2007

A NOVA VIDEOPOLÍTICA
s dias em que propaganda partidária obrigatória era sinônima de tédio e impulsionava o pressionar simultâneo de milhares de botões “off” dos controles remotos Brasil afora podem estar chegando ao fim. Não, os partidos não perderam o direito ao espaço nobre da televisão brasileira, como muitos desejam. Eles somente estão aproveitando-o como nunca. Quem se deu ao trabalho de assistir alguns dos últimos programas percebeu a mudança. O aclamado guru da área, Duda Mendonça, é passado remoto. Hollywood invadiu o sistema partidário brasileiro. Efeitos especiais, jogos de luz, cortes de ângulos, muito movimento e sons envolventes. O último programa do Democratas que foi ao ar impressionava. Home Theater ligado no volume máximo, o telespectador podia se preparar para se segurar no sofá. Seria a nova videopolítica capaz de colocar um fim na generalizada apatia política, tornando o trato da coisa pública algo atraente para o reles e cansado cidadão? Dificilmente. Como espetáculo, ela atingiu um nível elogiável. Mas como discurso e meio, traz sérias e negativas conseqüências para a prática política. A primeira, e mais óbvia de todas, é a personalização política, em si agente do esvaziamento de conteúdos políticos. É a imagem de um porta-voz, necessariamente,





que emerge no vídeo. No caso, das principais lideranças partidárias. Não há entidade coletiva nem programa partidário. O que salta aos olhos de imediato é a aparência física do indivíduo na telinha. Muito mais sua eloqüência ao falar, do que o conteúdo deste. O consumo dessas

informações também é privado, quase íntimo, afinal a figura política da vez me fala na minha sala de estar, o que reforça a tendência de interpretação dos conteúdos através de elementos pessoais. O discurso é forçosamente simplificado, pois tem que ser veloz. A ameaça da mudança de canal é constante, então a mensagem precisa ser transmitida logo. Perde-se conteúdo político. Na verdade, ele é de tal forma simplificado, e o telespectador de tal forma tratado como um analfabeto político, que a maioria deles recorre a formatos infantis. No caso do Democratas, literalmente todo o programa foi desenvolvido a partir das respostas do partido para as interrogações de uma criança. E o discurso é diluído. Num palanque, o político sabe quem é seu público e se direciona para ele. Na televisão, o discurso é voltado para todos, ganhando contornos generalistas e indiferenciados. A síntese suprema é o último slogan do PT, algo como “O partido que mais faz por você”. Só que o PT não fala quem é essa abstração chamada “você”. E é impossível fazer o máximo para todos, porque política pressupõe necessariamente conflito de interesses e relações de dominação. Em suma, é a negação da política.

*Estudante de Ciência Política na UnB e de Jornalismo no UniCeub.

 

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