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com grande espanto que li as últimas falácias do deputado Ciro
Gomes, quando indagado sobre as suas possíveis alianças para
as próximas eleições. Assustei-me não com os impropérios, característica
indissociável de Ciro, mas pela citação a mim. Nunca estive
com este cidadão, nunca o procurei para tratar assunto algum
e tampouco tive boas referências de amigos comuns a respeito
dele. Até então, pouco sabia sobre Ciro, a não ser as notícias
de escândalos envolvendo o seu irmão, Cid Gomes, governador
do Ceará, acusado de promover viagens aos familiares com dinheiro
público. Porém, ao pesquisar mais sobre a biografia política
de Ciro, não me delonguei muito para perceber que se tratava
de um dos quadros políticos mais contraditórios da política
contemporânea. Podemos começar pelo seu histórico partidário.
Atualmente, encontra-se filiado ao PSB, assim como já esteve
filiado ao |
PPS e ao PMDB, mas iniciou-se na política pela Aliança Renovadora
Nacional, a ARENA, partido que dava sustentação à ditadura militar
brasileira. Em 1979, quando Ciro compunha o partido que dava
sustentação à ditadura militar, eu me destacava no Congresso
Nacional como um dos políticos mais atuantes no combate ao Regime.
Espectador da minha atuação parlamentar, Ciro rendeu-se ao espírito
democrático e se integrou ao PMDB para eleger-se deputado estadual.
Sobre a biografia política de Ciro Gomes, que tanto se gaba
pela moralidade e ética, qual foi a minha surpresa ao constatar
que Ciro “é um dos campeões de faltas na Câmara”, conforme o
jornal O Estado de São Paulo, (25/04/2009). De cada dez sessões
ordinárias e extraordinárias realizadas desde o início de seu
mandato, em 2007, Ciro faltou a quatro, ficando “entre os cinco
campeões de faltas”. Além disso, não há registros oficiais |
Newton Cardoso*
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"De cada dez sessões realizadas desde o início
de seu mandato, em 2007, Ciro faltou a quatro, ficando
entre os cinco campeões de faltas”
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de algum
projeto de sua autoria, relevante ao estado do Ceará ou ao Brasil.
Aliás, nem sei porque cito relevância ao Ceará. A defesa do
Estado que o elegeu não parece ser preocupação de Ciro, haja
vista o noticiário de especulações a respeito |
da candidatura ao governo de São Paulo. Será que o motivo é
a frustração pelas administrações políticas locais? Lembro-me
de que em 2008, durante as eleições, Ciro declarou que “Fortaleza
se transformou num puteiro a céu aberto”, segundo o jornal Folha
de S. Paulo (25/06/2008). O alvo era a administração da petista
Luizianne Lins. Mas e o governador Cid Gomes? Não teria alguma
responsabilidade sobre isso? Esse ataque verborrágico, com
direito a termos chulos - peculiares a Ciro, remeteu-me a um
passado recente: ao dos escândalos das passagens aéreas na Câmara
Federal. Discursando da tribuna, Ciro esbravejou para os jornalistas
presentes: “Ministério Público é o caralho! Não tenho medo de
ninguém. Da imprensa, de deputados. Pode escrever o caralho
aí. É um bando de babacas”, conforme o Portal UOL, em 22/04/2009.
Finalmente, em uma das matérias |
que Ciro cita o meu nome, fiquei boquiaberto com sua declaração:
“Faço aliança até com Satanás se for para fazer a obra de Deus”.
Sinceramente, caro deputado? Sinto-me aliviado de jamais ter
sentado à mesa com Vossa Excelência, pois as minhas alianças
políticas sempre priorizaram bases que não parecem ser suas:
a da defesa irrestrita da democracia, a do repúdio a regimes
autoritários, a da fidelidade partidária e, sobretudo, a da
defesa do povo do meu Estado. Isso se chama moralidade política.
“Será que em nome da tal ‘hegemonia moral’ ele aceitaria formar
uma aliança com o próprio irmão, acusado de uso de dinheiro
público em viagens particulares e de nepotismo? Não, não posso
dar crédito a alguém que sempre se pautou pelo desequilíbrio,
incoerência e verborragia política”.
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Newton Cardoso, ex-governador
de Minas Gerais
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