|
Caberá ao Conselho de Ética do Senado decidir, nesta semana, sobre
11 ações contra o presidente da Casa, José Sarney, sendo cinco representações
e seis denúncias. As principais pedem a investigação da responsabilidade
de Sarney nos 663 atos secretos do Senado, cheios de práticas de nepotismo,
e no desvio de R$ 500 mil de patrocínio cultural da Petrobras para
fundação do senador existente no Maranhão. Sarney também é acusado
de ter ocultado de suas declarações de bens à Justiça Eleitoral uma
casa em área nobre de Brasília no valor de R$ 4 milhões. Sob intensa
pressão da oposição e da opinião pública para renunciar, certamente
o presidente Sarney está confiante nesse Conselho de Ética. |
E tem razões para isso, conforme mostrou, nessa semana, o jornal “O
Estado de São Paulo”: 70% dos componentes desse conselho do Senado
têm ficha com problemas. Começa pelo próprio presidente do órgão,
senador Paulo Duque (PMDB-RJ), que é aliado de Sarney e tem prerrogativa
para arquivar processos. Ele é acusado de nomeação de assessores por
atos secretos, de nepotismo e de ter empregado assessor fantasma no
próprio Conselho de Ética. De acordo com levantamento do jornal, dos
30 titulares e suplentes do Conselho pelo menos 21 estão com problemas.
Somente da tropa de choque do PMDB, defensora de Sarney, os quatro
titulares – Paulo Duque(RJ), Gilvan |
Borges(AP), Wellington Salgado(MG) e Almeida Lima(SE) estão envolvidos
com atos secretos, nepotismo e outras investigações. Desses quatro,
um dos maiores aliados de Sarney é Wellington Salgado, que responde
a três inquéritos no Supremo por sonegação fiscal e crimes contra
a Previdência. Outro forte aliado de Sarney, Gilvan Borges é acusado
de nepotismo por empregar concunhada, prima da ex-mulher e ex-chefe
de gabinete com oito parentes no Senado. Com um Conselho de Ética
assim, formado por senadores de fichas-sujas, não se pode esperar
absolutamente nada em defesa da moralidade e da instituição. Simplesmente
é um Conselho sem condição moral para investigar ninguém. |
Wellington
Salgado, acusado de sonegação fiscal
Gilvan
Borges, acusado de nepotismo
|