Crise do Senado, envolvendo o presidente JoséSarney, está gerando outra
crise, inesperada, entre o presidente Lula e seu PT num cenário de jogo
duplo que vem irritando os senadores petistas. |
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CRISE DO SENADO GERANDO CRISES |
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Será
que a grave crise no Senado vai acabar agora com a volta dos
parlamentares a Brasília nesta semana? Como a crise não esfriou
durante o recesso, contrariando o desejo do Governo e do PT,
ninguém garante nada. Mas uma coisa é certa: o principal personagem
da crise, senador José Sarney, envolvido em várias irregularidades,
dentro e fora do Senado, está sendo também o pivô de uma crise
inesperada entre o presidente Lula(foto) e o PT. Senadores
do PT não estão suportando a imposição de Lula para ficarem
ao lado de Sarney porque isso tem proporcionado alta rejeição
entre seus eleitores que pedem exatamente o contrário.
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Em verdade, o presidente Lula tem exagerado em arbitrariedade
e personalismo, como fundador e patrão do PT, forçando descer
goela abaixo do partido decisões políticas pessoais que julga
do interesse do projeto de poder petista mas que não têm a mesma
leitura de muitos dos 12 senadores do partido. Conflito agravou-se,
nessa semana, com o Governo desauto-rizando e desclassificando
nota oficial do líder do PT no Senado, Aloísio Mercadante, pelo
afastamento de Sarney, depois de ter verificado estrago causado
no eleitorado nota anterior, atendendo a recomendação de Lula,
pela permanência de Sarney. Com o fim do recesso, este será
o principal assunto de reunião da bancada petista no Senado
nesta semana. Cenário de jogo duplo do PT em relação ao presidente
do SenaSenado em crise chega a causar |
perplexidade pelo evidente contorcionismo do partido. Mas, pelo
menos sete dos 12 senadores petistas estão bastante incomodados
com o acúmulo de imposições de Lula. Primeiro, foi a decisão
pessoal de Lula de lançar a candidatura da ministra Dilma Rousseff
à Presidência sem consultar ou respeitar a vontade do PT. Dilma
é candidata, está em campanha, mas não deve nenhuma satisfação
ao PT porque não é candidata do partido e, sim, candidata pessoal
do presidente Lula. Segundo, Lula determinou ao PT que não lançasse
candidaturas aos Governos nos Estados dando prioridade absoluta
ao Senado onde o Governo precisa de uma base sólida e segura
para defender seus programas e projetos. Terceiro, Lula inventou
essa história de o deputado federal Ciro Gomes(PSB-CE) ser candidato
ao Governo |
de São Paulo, desconsiderando potenciais candidaturas petistas
do próprio Aloísio Mercandante, de Antonio Palocci, de Marta
Suplicy...E, finalmente, nos últimos dias, Lula vem exigindo
do PT total apoio do partido ao aliado Sarney mergulhado nas
águas turvas de uma das maiores crises do Senado em toda a sua
história. Embora seja um partido disciplinado, como manda os
manuais stalinistas e leninistas que lhe servem de orientação,
o PT não está absorvendo com naturalidade essas imposições arbitrárias
e personalistas de Lula. Elas chegam ao ponto de expor ao ridículo
o líder da bancada no Senado, Aloísio Mercadante, já por duas
vezes forçado a recuar, publicamente, e desdizer o que havia
dito antes, ficando sua liderança completamente desacreditada
e desmoralizada. Já não merece qualquer |
crédito a palavra de Mercadante como líder do PT porque o líder
real do PT é Lula, que está fazendo tudo para salvar Sarney
porque precisa do PMDB garantir seus planos das próximas sucessões
presidenciais, talvez até 2030, num disfarçado modelo chavista.
É possível que, juntamente com a crise do Senado, se agrave
esse conflito entre Lula e o PT no cenário em montagem para
2010. Sua determinação para que o PT não tenha candidatos aos
Governos estaduais já não está sendo respeitada no Rio de Janeiro
e no Rio Grande do Sul. Provavelmente acabará acontecendo a
mesma coisa em São Paulo. Caso se confirme essa tendência, o
PT passará a caminhar desconectado de Lula já que há muito tempo
Lula caminha sem dar a menor importância ao PT. Quem sobreviverá?
Eis a próxima questão de futuro. |
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Imposições
arbitrárias e personalistas de Lula ao PT, julgando serem do interesse do
projeto de poder do partido, não têm a mesma leitura entre os senadores
petistas e começam a ser consideradas fatores de conflito. |