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FATORAMA
Jornal de opinião da Capital brasileira
HOME   Brasília - DF 02/08/2009

DIPLOMACIA DA CERVEJA
“Estou fascinado com a fascinação despertada por essa noite”. Foi o que declarou um descontraído Barack Obama ao iniciar um encontro histórico, pelo inusitado, nessa semana, nos jardins da Casa Branca. E como quatro bons amigos sentaram-se em torno de uma mesa servida de canecos de cerveja. Isso mesmo, canecos de cerveja. Barack OIbama, presidente dos Estados Unidos, o vice Joe Biden, o professor negro de Harvard, Henry Gates, e o sargento branco da Polícia de Cambridge, James Crowley. “Estão dizendo que esse encontro é a cúpula da cerveja. É um termo inteligente, mas isso não é cúpula, gente. São apenas quatro caras tomando uma cerveja no final do dia”, brincou Obama. Foi assim que ele transformou em algo saudável e harmonioso um episódio sério e polêmico. Começou como uma pequena confusão: professor de Harvard, renomado autor de livros sobre o movimento negro e condecorado pelo então presidente Bill Clinton, ao chegar de viagem à China, Henry Gates encontrou emperrada as portas de sua casa em Cambridge. Era noite e ele tentou, por diversas vezes, abrir a porta, sem êxito. Pediu, então, a um taxista hispânico, que ia passando, para ajudá-lo e os dois resolveram arrombar a porta. Como era noite e uma vizinha, sabendo que o professor estava viajando, não teve dúvidas: ligou para a




polícia e denunciou o estranho movimento perto de sua residência. Quando o policial chegou interpelou Henry Gates, que se identificou como proprietário da casa e como professor de Harvard, mas foi uma conversa estranha para convencer o policial sobre o arrombamento da casa. Logo o professor negro se alterou, criticou o policial

que, alegando desacato à autoridade, deu voz de prisão. E lá se foi o professor negro de Harvard para a delegacia. No dia seguinte, Barack Obama, primeiro presidente negro dos Estados Unidos, obviamente avaliando o episódio como manifestação concreta de racismo, fez um comentário infeliz: “A polícia de Cambridge agiu estupidamente”. Foi grande a repercussão, alimentando considerações hostis dos dois lados, de negros e policiais. Percebendo o erro cometido, Obama, então, no dia seguinte, pediu desculpas, publicamente, se penitenciando por seu comentário infeliz. Como é um intelectual de sensibilidade social, aproveitou para transformar o limão numa limonada e convidou os dois para uma cerveja na Casa Branca. Foi o que aconteceu nessa semana. Em grande lance de original diplomacia, Obama tomou Bud Light, da belgo-brasileira Inbev, Gates serviu-se de Sam Adams, cerveja escura americana de Boston, e Crowley bebeu a canadense Blue Moon. Um final feliz de polêmica racial, mostrando que, além de espírito aberto e democrático, tem forte percepção de marketing e sabe como despertar fascinação. Ganhou pontos entre milhões de norte-americanos por sua nova forma de tratar e resolver complexas questões raciais: a diplomacia da cerveja.



MORTE- Governo da China comunista prometeu, nessa semana, que vai agir para redução das penas de morte no país deixando-as reservadas para os crimes contra a ordem política e a estabilidade social. Somente no ano passado 1.700 pessoas foram executadas na China

Obama e o Terror
Tensões Diplomáticas
Recuo de Cristina
Governo Barack Obama anunciou que combate ao terror pelos Estados Unidos terá agora novo enfoque, destacando-se a cooperação entre aliados e o engajamento da população.

Foto: Presidente Raúl Castro
Presidente da Venezuela, Hugo Chávez, anunciou congelamento de relações com a Colômbia depois do anúncio em Bogotá de que foram encontrados lança-foguetes iguais aos venezuelanos com as Farc-Forças Revolucionárias Colombianas. Mas o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, esclareceu que o Governo Hugo Chávez já havia sido informado, discretamente, sobre o assunto, sendo injustificável a atitude tomada. Silencio total da Venezuela.
Derrotada nas eleições legislativas de junho, a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, resolveu limitar seus poderes sobre o Orçamento para manter dialogo aberto com oposição.

Foto: Presidente Barack Obama

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