Guerra & Maia


Lula viajará pelo País, lançando o programa Territórios da Cidadania, com a ministra Dilma Rousseff, candidata dele à sucessão presidencial em 2010, que será apresentada aos eleitores pobres.
TERRITÓRIOS ELEITOREIROS DA SUCESSÃO

Será que o mais novo programa do presidente Lula, batizado como “Territórios da Cidadania”, despejando R$ 11,3 bilhões em 958 municípios brasileiros, é mesmo para combater a pobreza ou é para garantir votos nas eleições municipais deste ano e antecipar a corrida à sucessão presidencial em 2010? Os presidentes do PSDB, Sérgio Guerra, e Rodrigo Maia, do DEM(fotos), não têm dúvida: é um programa ilegal porque fere a Constituição e a Lei Eleitoral. Por isso, já estão acionando o Supremo e o TSE contra a execução do programa: “Não vamos assistir calados a essa tentativa ilegal do Governo de manter sob seu controle as áreas mais pobres do País”.

Com seu AeroLula bem abastecido e totalmente alheio às críticas e às denúncias da farra de seu Governo com o dinheiro público dos cartões corporativos, o presidente Lula começou, nessa semana, suas viagens pelo Brasil lançando o programa “Territórios da Cidadania”, que cumpre 135 ações de 19 Ministérios. Justifica que é para garantir melhoria de renda e de qualidade de vida às populações beneficiadas. Além disso, Lula acrescenta dois motivos: precisa viajar mais para conhecer melhor os problemas nacionais e precisa ficar mais afastado de Brasília “que é uma desgraceira só”. Mas, para os dirigentes dos dois maiores partidos de oposição ao Governo, os argumentos de Lula não têm sentido. Primeiro, porque desde o início do seu Governo que tem viajado muito pelo Brasil que ele sempre disse conhecer mais do que ninguém por causa de suas caravanas eleitoreiras nas campanhas em que foi derrotado. Segundo, porque “a desgraceira” não é de Brasília e sim do seu Governo encurralado pelas denúncias relativas à farra dos cartões corporativos, envolvendo, inclusive, sua família. Depois, Lula não poderia ter criado por decreto um programa como esse pois a Lei Eleitoral proíbe a distribuição de recursos e benefícios em ano eleitoral. De acordo com o próprio Governo, o programa de 60 territórios abrangendo 958 municípios vai beneficiar mais de 24 milhões de habitantes, entre eles 1 milhão de agricultores e 320 mil famílias assentadas. De todas as regiões, o Nordeste será a mais contemplada recebendo R$ 5,4 bilhões, vindo em segundo lugar o Norte com R$ 2,5 bilhões. Curiosamente, o Estado que vai ter mais recursos é a Bahia do governador Jacques Wagner, do PT, com R$ 1.419 bilhão, seguido do Maranhão do ex-presidente e senador José Sarney, maior aliado do Governo, que receberá R$ 928 milhões. Depois, os mais beneficiados são Minas Gerais, do governador Aécio Neves(PSDB), que vem pregando aliança com o PT, com R$ 768 milhões, e o Piauí, administrado pelo PT, com R$ 704 milhões. Onde o Presidente lançou o programa, nessa semana, o Ceará, do governador aliado, Cid Gomes, irmão do deputado federal governista Ciro Gomes, está sendo contemplado com R$ 632 milhões, mais do que Rio, São Paulo, Paraná e Santa Catarina juntos. Somente no Ceará, serão beneficiados 52 municípios e mais de 1,5 milhão de habitantes. Para os senadores Sérgio Guerra e Rodrigo Maia, é um programa “100% eleitoreiro”, disfarçado de assistência social, faltando apenas sete meses para as próximas eleições municipais. Embora o Presidente, que tem se revelado bom ator, negue o caráter eleitoreiro desse programa, ele próprio confirma suas reais intenções ao anunciar que levará a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, para conhecer os brasileiros mais pobres. Como tudo que Lula diz tem que ser interpretado ao contrário, na verdade, o que ele pretende é que os brasileiros mais pobres conheçam Dilma Rousseff, candidata dele na eleição presidencial em 2010. Ou seja, o programa de apelo à cidadania é uma antecipação da campanha para sucessão de Lula que está usando dinheiro público em causa própria. Como denunciam os dirigentes do PSDB e do DEM, claramente ilegal.
Dirigentes do PSDB e do PFL consideram ilegal o programa que vai aplicar R$ 11,3 bilhões em regiões abrangendo 958 municípios, que serão transformados em territórios eleitoreiros de Lula.

Tão Gomes Musa Antônio Caraballo Magno Martins JB Serra e Gurgel Raphael Bruno Renato Riella
Jota Alcides Charlotte Aldo Paes Barreto Sérgio Oliveira Luiz Roberto Marinho Kleber Sampaio Aldemar Paiva