| Estranhamente,
apesar de todos os escândalos de corrupção e do caos administrativo que
afeta vários setores do País, o Governo Lula tem escapado ileso no julgamento
popular. |
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BRASIL SOB VERTÍGEM DO CAOS |
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Democracia
sem defeitos não existe. O Brasil é uma nação democrática,
mas sua democracia está correndo sérios riscos pelos abalos
da crise ética e da corrupção aos seus pilares de sustentação.
É um escândalo atrás do outro. Já não se diferenciam escândalos
reais de escândalos artificiais e todos causam estragos. Esquizofrenia?
Pode ser que o presidente do Senado, Renan Calheiros(foto),
bola da vez, esteja com a razão. Democracia é, antes de tudo,
um estado de espírito, e o do Brasil atual revela ampla alienação
do seu povo. Manipulado por alguns aspectos econômicos positivos,
não enxerga que tudo o mais está mergulhado ou mergulhando
no caos.
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Desde as primeiras denúncias de corrupção no Governo Lula, com
o assessor presidencial Waldomiro Diniz, flagrado no aeorporto
de Brasília, em fevereiro de 2004, cobrando propina do bicheiro
Carlos Cachoeira, em favor do PT, nunca mais o País teve sossego.
Daí em diante é uma seqüência impressionante de escândalos,
mostrando sobretudo fraudes e assaltos ao dinheiro público,
em dimensão nunca antes vista na história da República. Mantém-se
líder do ranking o Mensalão, esquema gerado pelo Governo para
comprar votos no Congresso. Considerados chefes do Mensalão,
jamais serão esquecidos José Dirceu, José Genoíno, Delúbio Soares
e Sílvio Pereira, dirigentes petistas acusados como líderes
de “organização criminosa”, operada por Marcos Valério, dentro
do Governo que se elegeu prometendo ética. |
Ninguém foi preso, mas o Mensalão desmoralizou completamente
a Câmara dos Deputados. Somam-se outros escândalos - Vampiros,
Antonio Palocci, bingos, alo-prados, dólares na cueca, malas
de dinheiro, Jorge Lorenzetti, Gautama, caça-níqueis, sentenças
judiciais vendidas – deixando a Nação estarrecida. Mas, estranhamente,
o Governo Lula permanece escapando ileso dos escândalos. Como
a roda não pára, agora é a crise no Senado, com o seu presidente
do Senado, Renan Calheiros, e o senador do DF, Joaquim Roriz,
suspeitos de envol-vimento com operações financeiras ilegais.
Farta documentação apresentada por ambos, demonstrando terem
utilizado recursos próprios e não ilícitos nos pagamentos de
contas pessoais, tem alimentado controvérsias e novas denúncias
encurralando os |
acusados. Culpados ou não, vítimas do “esquadrão da morte moral”,
como diz Renan, ou de “ação criminosa”, como alega Roriz, a
verdade é que o Senado está exposto à desmoralização total.
Para completar, até o Judiciário entrou nessa roda do caos ético
e moral com advogados, juizes, desembargadores e até ministro
envolvidos com bandidos da máfia do jogo no País. Ao trauma
geral dessa crise ética, acrescenta-se o caos aéreo, já com
oito meses, símbolo mais visível da incompetência de gestão
do Governo, deixando milhões de brasileiros sofrendo nos aeroportos.
E ainda aparecem dois ministros de Lula dizendo idiotices: Guido
Mantega, alegando que o caos na aviação é “reflexo da prosperidade”,
enquanto a China cresce três vezes mais que o Brasil e lá os
aviões estão pousando e decolando normalmente; e Marta |
Suplicy, recomendando aos passageiros que “relaxem e gozem”,
verdadeiro deboche. Semelhante ao da deputada petista dançarina.
Cenário do Brasil atual é de filme de terror ou algo trágico
com lances de comédia, mas revelador de síndrome que se alastra
velozmente. Caos político, caos jurídico, caos moral, caos ético,
caos aéreo, caos rodoviário, caos urbano, caos policial, caos
educativo, caos hospitalar e caos da segurança. “O Governo pode
ser ruim, mas o Presidente é bom”, no julgamento popular. Somente
isso explica assustadora indiferença da população, sem indignação
e qualquer reação, como sendo absolutamente normais a roubalheira
e a promiscuidade no Executivo e demais poderes da República.
Lastimavelmente, o Brasil está doente e sofrendo danos irreparáveis
sob a síndrome de Meunière ou a vertígem do caos. |
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Causa
apreensão a assustadora indiferença esquizofrênica da população brasileira,
sem qualquer reação, considerando normais roubalheira e promiscuidade nos
três Poderes da República. |