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Jornal de opinião da Capital brasileira
HOME   Brasília - DF 24/08/2008

RECOMEÇO DESANIMADOR
governo apresentou, nesta semana, a nova proposta de reforma política que vinha cozinhando no Ministério da Justiça já há algum tempo. Na última tentativa derrotada de levar adiante alterações no sistema eleitoral, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi criticado por integrantes da própria base pela falta de maior engajamento. Agora, apesar do tom cuidadoso, supostamente para não irritar líderes parlamentares, entra de cabeça. A proposta elaborada pela equipe de Tarso Genro recupera alguns dos pontos principais da tentativa anterior e tenta atacar alguns dos problemas mais crônicos de nosso sistema eleitoral. As perspectivas para o futuro da reforma, contudo, não parecem, ao menos por enquanto, muito animadores. A proposta passa novamente por duas idéias fundamentais, entrelaçadas entre si, para amenizar dois aspectos não muito elogiáveis da nossa representação política para os quais o atual modelo de sistema eleitoral contribuiu estruturalmente: a força dos interesses de grupos privados nos mandatos e a extrema personalização clientelística do voto. Assim, eis que ressurge a tentativa do financiamento público exclusivo e do voto em lista fechada. É aqui que, não à toa, entra o caráter mais espinhoso da reforma. O financiamento público exclusivo só pode ser implantado




acompanhado do voto em lista partidária fechada, tendo em vista a simples e absoluta falta de critérios justos para a distribuição de recursos públicos entre correligionários que com-petem entre si, como no atual modelo de lista aberta. O problema é que partidos mais afastados do perfil programático e militante, que se pressupõem ser aqueles que atraem

o voto em legenda, carregam profunda aversão a abrir mão da capacidade de seus líderes personalistas atrair votos. O PTB, por exemplo, do atual Ministro das Relações Institucionais, José Múcio, um dos responsáveis, talvez o principal deles, pelas negociações futuras da reforma no Congresso, foi e deve continuar sendo uma das legendas que mais devem resistir ao voto em lista fechada e ao financiamento público. É necessário lembrar, também, que a idéia inicial do governo é colocar a reforma em votação no início do próximo ano. Ou seja, na prática, ela será votada pelos mesmos parlamentares que a derrubaram em 2007. Ao menos dois sérios riscos precisam ser ressaltados. Um é o de que, para fugir da tendência do legislar em causa própria, a proposta jogue este tipo de mudança para anos longínquos, tornando mais provável que o atual sistema siga fazendo seu estrago mais alguns anos, até que, às vésperas das alterações, estas sejam novamente derrubadas. Outro é o de que, como parte da estratégia do governo é fatiar a apreciação da reforma a fim de evitar nova derrota generalizada, apenas pontos secundários sejam aprovados, mantendo-se os aspectos problemáticos mais fundamentais, mas se criando a sensação de que todos os defeitos do nosso combalido sistema eleitoral foram sanados.



PETRÓLEO - Preços do petróleo voltaram a subir (US$ 115) depois das ameaças da Rússia de suspender as exportações do produto em repúdio ao acordo de criação de um escudo antimíssil entre Estados Unidos e Polônia. Estão contribuindo também para isso as tensões entre Rússia e Geórgia.

McCain na Frente
Tragédia em Madri
Esperança de Obama
Pela primeira vez, desde o início da campanha presidencial nos Estados Unidos, nesse ano, o senador republicano John McCain ultrapassou o senador democrata Barack Obama. Agora, ele tem 46% contra 41%. Está animado.

Mistério ainda cerca as causas do maior acidente aéreo na Espanha nos últimos 30 anos. Queda de avião da Spanair, nessa semana, logo após decolagem em Madri, deixou 153 mortos. Muitos feridos ainda estão nos hospitais. Não sobrou nada que lembrasse um avião. Depois da explosão, ficaram só destroços e corpos de mortos e feridos. Para os paramédicos que primeiro chegaram ao local da tragédia foi um verdadeiro milagre encontrar sobreviventes.
Após revés sofrido na corrida à Casa Branca, essa semana, o candidato democrata Barack Obama espera que o apoio de 90% dos negros possa ajudá-lo a recuperar a vantagem sobre o republicano John McCain.


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